O Quarto Poder


Aparentamente, no Brasil, não temos somente os três poderes, o legislativo, executivo e o judiciário, mas contámos também com um poder “illegitimo legitimado”. O poder illegitimo legitimado encontra-se na faixa mais fulneráveis da população, nas favelas. São as organizações criminais que formam o quarto poder, dominando a vida dos cidadões pobres da sociedade e aparentamente este quarto poder é legitimado pelo menos tacidamente. Veja o que apareceu no jornal de hoje:

“Sargento é obrigado a abandonar imóvel após invasão do tráfico

Celso Oliveira

Rio – Um sargento do Regimento de Polícia Montada (RPMont) da Polícia Militar e oito parentes foram obrigados a abandonar suas casas após uma invasão de traficantes na comunidade do Coqueiro, em Santíssimo, Zona Oeste. A família está abrigada desde sábado em um quartel da corporação. Vizinhos do sargento, um bombeiro, um policial rodoviário federal e um militar do Exército também teriam sido expulsos. Ontem, a PM trocou tiros com bandidos no local, mas não houve presos.

A invasão ao Coqueiro, chefiada pelos traficantes Aranha, Léo Vascão e Tola, da Favela da Coréia, aconteceu na noite de sexta-feira. Segundo o 14º BPM (Bangu), a comunidade, perto da Coréia, não era, até então, área controlada por traficantes. “Intensificamos a repressão na Coréia e eles, por isso, invadiram aquela área”, disse o capitão Maforte.

Alertado por vizinhos, o policial deixou às pressas sua casa de dois andares, ainda em obras, na Rua Arthur Toni, levando a mulher e os quatro filhos para o quartel, fora da Zona Oeste. Ele morava no imóvel há 15 anos. “Marginais foram de casa em casa procurando policiais, dizendo que iam matar e fazer churrasco com os corpos”, disse um cunhado do PM, que também deixou a casa onde morava com dois irmãos.

Domingo, policiais do 14º BPM, com apoio de dois blindados do BPChoque, recuperaram pertences da família após tiroteio. Ontem, PMs removeram troncos usados como barreiras nas ruas. O clima ainda é de medo no Coqueiro, onde outras casas teriam sido abandonadas.”

E no mesmo dia:

“Tráfico expulsa mais um trabalhador de casa

A polícia resgatou na tarde desta terça-feira mais um trabalhador que seria executado pelo tráfico. Morador do Parque São Sebastião, no Complexo do Caju, há mais de 25 anos, o biscateiro Paulo Marques, de 58 anos, foi expulso de casa na noite de ontem porque os traficante queriam usar a casa onde ele mora para o embalo de drogas e depósito de armas da quadrilha. Segundo o próprio Paulo, as ameças já estão sendo feitas há três anos, desde a morte da esposa, quando ele ficou sozinho na casa de dois andares. Na noite de ontem, cerca de dez traficantes fortemente armados, inclusive com fuzis, chegaram na casa dele e iniciaram as agressões e ameças: “eles falaram que eu seria queimado vivo no microôndas porque não concordei com os traficantes”.

Paulo conseguiu fugir e ficou vagando pela região até a manhã de hoje, quando decidiu pedir ajuda para policiais militares. Uma equipe do 4º BPM (São Cristóvão) foi na casa do biscateiro e ajudou ele a retirar de casa os documentos mais importantes. No loca foram encontrados um revólver calibre 38, uma balança de precisão, pó royal para a mistura da cocaína, maconha e material para endolação.

Paulo foi levado para a 17ª DP (São Cristóvão), onde a ocorrência foi registrada. Agora, sem ter onde morar, ele vai pedir ajuda a parentes que moram na Tijuca. A obrigatoriedade de deixar a casa onde vivia foi o que mais entristeceu o biscateiro: “vou ter que largar o que tenho para viver em outro lugar, é uma pena”.”

Ora, a polícia não teria que prender estes pessoas que estão despejando os cidadões de suas casas? O poder executivo, de certa forma não está legitimando o quarto poder ajudando os despejados a buscar as suas pertences. O art. 5o no seu inciso XXII não garante a propriedade? Será que o estádo não tem a obrigação de garantir a propriedade de todos? O que parece é que o quarto poder está se formando como um poder illegitimo legitimado.

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